Give me love

“Me dê amor como ele, porque ultimamente eu tenho acordado sozinha”. 

Escolhas. Tudo nessa vida gira em torno de escolhas. Quando criança, você não se torna amigo de alguém forçado, você escolhe ter essa pessoa do seu lado. Assim como eu escolhi você, e você a mim.

Não foi o destino, nem o universo, nem o impossível. Foi uma escolha. A escolha de responder a sua pergunta naquele bar, a escolha de pegar o seu telefone, a escolha de te mandar uma mensagem durante a madrugada, a escolha de me arriscar. Nós poderíamos ter escolhido não dar certo por causa dos nossos gostos diferentes, mas escolhemos funcionar, pelo que tínhamos de igual. Aquele seriado, aquele filme, aquela banda, aquela música.

O tempo passa, e nós escolhemos como vamos seguir. Entre ser um casal comum, e optar pelo diferente, nós escolhemos nos surpreender. Nada de brigas por horário, ou mensagens não visualizadas. Nada de falta de amigos, ou de momentos de risadas. Nós escolhemos ser um, mas ainda dois, para que ninguém perca a sua essência, para que ninguém se esqueça.

Como nenhuma história de amor é perfeita, as nossas escolhas também não foram. Em algum momento, as escolhas que antes eram uma, se tornaram duas, e ao mesmo tempo mais distantes. Você escolheu sair e não voltar, e eu escolhi ficar e esperar. Eu vejo os casais na rua, e eu fiz a minha escolha que veio como um pedido. Cuide bem da sua última escolha, porque nela está o meu coração.

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Velha infância

Hoje aconteceu algo engraçado comigo. 02h30 e eu estava olhando [leia-se stalkeando] o facebook do meu primeiro amor. Tudo bem, acho que estou exagerando. Não sei se o primeiro namoradinho, que a gente teve no pré, pode ser considerado o primeiro amor. Mas aquele filme “Meu primeiro amor” diz que isso pode acontecer, ou pelo menos eu acho que sim.

O engraçado foi entrar e logo de cara ver que o sujeito está namorando. Normal, não é mesmo? Isso deveria soar como algo natural, afinal, seguimos por caminhos diferentes há um bom tempo, ninguém é obrigado a ter um relacionamento pra sempre com o tal do primeiro, mas não é que eu senti uma pontada de inveja, ou ciúmes? Não sei se era porque eu queria estar no lugar dela, ou porque aquele sentimento de “eu vi primeiro” falou mais alto.

Tá, tudo bem! Talvez eu sinta falta do meu melhor amigo da infância, e sinta falta das idas a praia, das noites de video game, das lutas de judo que eu tive que assistir, dos presentes, e da mãe dele que sempre me mimava. O legal era saber que eu podia contar com ele, para tudo! E não precisava do romance [até porque não tinha idade para isso], mas que um cuidava do outro e se preocupava. E que com o passar do tempo, quando reuníamos os velhos amigos da escola a gente sempre contava essa história.

E agora? Ainda vai ter algum encontro para relembrar mais uma vez disso tudo? Relembrar de quando eu e minhas amigas brigávamos pela sua atenção, e você continuava com os meninos no pátio. Tudo isso era tão bobo, e tão divertido, e fofo, por ser tão inocente.

Não é do seu amor que eu sinto falta, mas da sua presença e da sua amizade. E não só isso. Eu sinto falta da minha realidade, dos meus amigos, e daquela inocência, a tal da “Velha infância”.

Que nós dois não vamos nos casar, eu tenho certeza desde a terceira série, mas não estou pronta para abrir mão de todas as lembranças, e de você.

Home is Wherever I’m With…

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É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar?

Há muitos que definem lar como um lugar, uma casa, uma cidade, ou algo material. Lar pode ser tudo isso, mas com certeza, é muito mais. Não se prenda aos seus ensinos básicos. Feche os seus olhos, abra a sua mente e pense novamente em lar. A princípio, você deve estar com a imagem de um lugar, onde você mora, mas vá mais fundo, pense um pouco mais. O lar é o reflexo do seu coração.

Durante a sua vida, você pode morar em vários lugares diferentes, ou apenas na mesma cidade, mas isso não significa que lar é aonde você está. Se lar e casa fossem a mesma coisa, eles não teriam nomes diferentes. Lar é onde sua mente está, lar é o seu mundo, o seu universo.

Então você finalmente entende que lar não é um lugar. Lar é um sentimento, é paz, é poder estar mentalmente aonde você pertence, mesmo quando não é fisicamente possível. Lar, não é apenas onde o seu coração está, mas onde sua alma encontra paz. Lar é sempre onde você está. O meu lar está comigo, e eu o levo para onde for preciso.

Texto: A última carta que escreverei sobre você

“Me desculpe por isso, mas eu não posso mais continuar”. Foi tudo o que ele disse por meio de uma carta toda molhada, com alguns bons borrões de tinta, e pequenos rasgos por ter passado por debaixo da minha janela.
Nós nos conhecemos há alguns anos. Eu havia acabado de entrar no primeiro ano, e ele estava se preparando para ir à faculdade.
Ele era um bom amigo. Me ligava para saber porque estava de cara feia na escola, me contava piadas para ver meu sorriso. Vivia na minha casa, só para jogar aquele vídeo-game chato que meu irmão tinha, e tinha um bom relacionamento com meus pais.
Meses se passaram, e eu tive que me acostumar com o fato, de não poder vê-lo todas as manhãs. Mas não foi tão difícil. Ele estava feliz na faculdade que havia escolhido. Tinha amigos novos, muitos trabalhos, mas realmente estava satisfeito com a vida que havia escolhido. Eu, apenas tentava me acostumar com as matérias chatas que o segundo ano me trazia, e me preparava para encarar a decisão difícil que teria que tomar no ano seguinte.
Nada havia mudado completamente. Continuávamos a nos ver com frequência, assistir os piores filmes do cinema, e a escolher CDS apenas pela capa, quando íamos a alguma loja no shopping. Nos finais de semana, saíamos com os mesmos amigos de sempre, cantávamos enquanto ele tocava seu antigo violão, até dar a hora de me levar para casa.
Se passou um ano, e outro, e outro, e eu me sentia a pessoa mais feliz e realizada do mundo. Toda vez que olhava seu sorriso, era como se meu mundo estivesse completo.
Certa noite, após exatos 10 dias em que eu não tinha nenhuma notícia dele, um papel caiu sobre minha janela. Eu tentei correr a tempo para ver quem era, mas tudo que encontrei foi o barulho da chuva caindo no chão.
Eu costumava amar dias chuvosos, mas aquele dia não havia me animado muito. Não sei se foi o fato de eu passar o tempo escutando minha lista de músicas tristes, ou a angústia que tomava meu coração.
O papel estava molhado, amassado, e até um pouco rasgado. Quando abri, eu sabia que conhecia aquela letra, e então sorri. Um sorriso que em pouco tempo começou a diminuir.
“Pequena,
Eu sei que deveria ter tido a coragem de te encarar frente a frente, mas eu não sabia como fazer isso. Não sei se são seus olhos que iriam me matar, ou sua mania de sempre sorrir, não importa o que aconteça. Não sei se aguentaria saber que estava prestes a nunca mais te ver, e ser recebido com o mais doce abraço que um dia já recebi. Mas de alguma forma eu precisava fazer isso, mesmo que fosse da mais covarde possível.
Primeiramente, peça desculpa ao seu irmão, por não poder voltar e terminar a partida do jogo que ele tanto queria. Fale a sua mãe, que ela tem o melhor pudim que eu já experimentei em toda a vida, e diga a seu pai, que eu não me importarei se ele me encontrar pelo campo onde sempre jogamos bola, e quiser cometer várias faltas sobre mim.
A você, eu não sei se tenho muito ou pouco a dizer. Nós já vivemos tanto, mas ao mesmo tempo tão pouco, perto do que sempre sonhei. Mas algo aconteceu de repente, e eu não posso mais enganar o tempo, ou você.
Ela
Eu
Um dia
Apenas aconteceu
Me desculpe por isso, mas eu não posso mais continuar”.
Aquela noite parecia perfeita para o momento. Eu olhei para meu celular que continha a nossa primeira foto juntos em seu plano de tela, e logo disquei seu número, mas algo em mim, fez com que eu não realizasse a ligação.
Eu poderia escolher odiá-lo. Com todas as minhas forças, e com todo o meu entendimento. Eu poderia escrever três discos inteiros, mostrando como ele partiu o meu coração. Mas eu também poderia escrever 10 álbuns sobre como ele havia sido bom pra mim. E eu sabia que poderia esquecê-lo, sem gastar toda a minha energia em algo ruim. E foi isso que decidi fazer, mas não podia deixar de antes, escrever minha última carta, das várias que eu nunca enviei.

Tudo mudou (ou quase!)

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Olá! Sejam bem-vindos ao meu novo mundo.
Eu costumava achar que o meu lugar era ali, mas em algum momento eu me perdi, e não conseguia mais achar uma saída, nem achar a minha essência. Por isso, uma história eu vou contar para vocês.
Eu sempre sonhei em ser uma princesa. Ter o meu próprio reino, pessoas que me amassem e um verdadeiro amor. Mas ao invés disso, eu nasci em um outro tipo de família, uma quase realeza.
Demorou um certo tempo para entender qual era o tipo de coisa que eu estava me metendo, ou melhor, que já haviam me metido. Na verdade, demorou vários dias e anos para todos entenderem o que era tudo isso, já que éramos como fugitivos.
Eu era uma quase cidadã no reino da cidade da garoa. A minha outra metade pertencia ao reino da cidade morena. Meu coração sempre bateu mais forte pelo povo da garoa, mas o grande campo da cidade morena chamava por mim, e pelos que estavam acima de mim. Esses eram chamados para cuidarem das pessoas. Essa é a quase realeza de que falei.
Nesse meio tempo eu nunca realizei nada por inteiro. Eu quase encontrei o meu príncipe encantado, eu quase estudei na faculdade de enfermagem, assim como eu quase estudei Direito, e agora sou uma quase jornalista. Em meu castelo eu sou uma quase cantora, e quase sei tocar aquele instrumento de cordas chamado violão. Quase, quase, quase. Por que não realizar algo por inteiro?
Talvez seja porque sou dividida ao meio e esteja no reino errado. Por isso eu preciso de um escape. Pensar, sonhar, acreditar. Acredito que encontrei um lugar para me tranquilizar. É algo como aquele velho conto de fadas onde a menina vai para o País das Maravilhas. E agora, eu acabo de encontrar o meu país.
Um lugar onde eu posso ser eu mesma, por um período de tempo. Onde quase palavras se transformam em grandes frases e tudo começa a ter sentido. Onde meus pensamentos mais perdidos se tornam em algo quase criativo. Aqui eu sou uma quase escritora, e mesmo que pareça um tanto quanto confuso, eu consegui o meu reino. Bom, quase!
Até logo,
Andressa!